Assumo que a nossa relação pode acabar
Quinta-feira, 2 de Fevereiro de 1978
Hoje era o dia de saber o que ela me queria dizer. Andei com aquilo desde que me levantei. Não lhe chamo nervos, mas era isso.O encontro não chegou a ser encontro. Estávamos juntos quando o pai dela apareceu. Não houve palavras trocadas, nem escândalo. Mas a Lina fechou-se e não disse o que tinha para dizer. Ficou tudo outra vez para amanhã.
Vim embora com a ideia de que ando a adiar uma coisa que não se adia.
Ontem escrevi que estou preparado para o pior. Continuo. Isto não quer dizer que eu não pensasse já em todas as hipóteses. Não é porque seja pessimista. É porque o momento que passamos não dá para brigas com os pais dela, e eu sei o que isso significa.
Se nada mudar, até ao fim do mês a Lina pede-me que nos separemos. É o que me diz a cabeça. Oxalá me engane.
E isto tudo assenta no mesmo, a mãe dela nunca me aceitará. Não é preciso mais nada. O resto é tempo.
Já é tarde. Estou no quarto, a escrever no diário antes de me deitar, e não me apetece nada estar aqui a pensar. Tenho medo do que ela me vai dizer amanhã. Tenho medo e não sei o que hei-de fazer com este medo. Oxalá esteja enganado. Mas a cabeça não me deixa sossegar.
Comentários
Enviar um comentário