Capítulo 7 - O que as palavras começam a dizer

O que as palavras começam a dizer

O sexto capítulo termina num lugar onde António ainda não consegue distinguir claramente aquilo que sente daquilo que teme. Os últimos dias deixam-no diante das próprias contradições, quer compreender o que se passa com Lina, quer testar a solidez da relação, mas descobre que procurar respostas pode ser tão doloroso como permanecer na dúvida.

Até aqui, o amor foi sobretudo vivido. Foi feito de encontros, ausências, esperas, olhares, beijos e pequenas certezas conquistadas entre as dificuldades do quotidiano. Mas alguma coisa começa agora a mudar.

As palavras passam a ocupar um espaço diferente.

António escreve porque há coisas que não consegue dizer. Escreve versos porque a prosa já não chega para conter aquilo que sente. E, pouco a pouco, aquilo que começa como uma necessidade íntima transforma-se numa nova forma de se aproximar de Lina. A poesia deixa de ser apenas confissão e passa a ser também diálogo.

O novo capítulo abre-se, assim, no dia 24 de Janeiro de 1978, quando um novo diário começa. Não é apenas uma mudança de caderno. É o início de uma fase em que António começa a olhar para os seus sentimentos através das palavras e, ao fazê-lo, começa também a descobrir uma parte de si que ainda desconhece.

Entre o amor e a dúvida, entre a vontade de dizer e o medo de ouvir a resposta, a escrita vai ganhando espaço.

E talvez seja esse o verdadeiro começo deste capítulo, o momento em que António percebe que algumas coisas não precisam de ser ditas em voz alta para começarem a transformar quem as escreve.

As páginas que se seguem pertencem a esse tempo.

Um tempo em que os sentimentos se tornam palavras.

E em que as palavras começam, finalmente, a dizer mais do que António consegue dizer sozinho.



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