Estará tudo acabado?

Segunda-feira, 6 de Fevereiro de 1978

E já aconteceu.

Fui ter com ela à uma hora. Não sei bem como começar a contar isto. Falámos os dois, conscientes do que estávamos a dizer. Ela disse-me o que tinha para dizer. Eu disse-lhe o que tinha para dizer. Dei-lhe a esperança que ainda tinha de voltar a ter o que até há dias tive.

Não houve gritos, não houve cena. Houve um beijo de despedida, e o coração a bater forte. Despedi-me também da paragem, que foi testemunha dos nossos encontros. Abracei-a e fui-me embora, despedindo-me do lugar que durante tanto tempo foi nosso.

Vim para casa e passei a tarde sem me convencer de que o nosso amor acabou. Não me convenço. Sei que o ódio da mãe dela venceu, mas não me convenço de que seja o fim.

Tenho o pressentimento de que dentro em breve serei esquecido. Não sei porquê, mas tenho. Talvez porque é o que acontece. Talvez porque sempre achei que havia de acontecer.

Aqueles dias que passámos juntos não os esqueço. Foram os mais agradáveis que tive até agora na minha vida. E agora acabaram.

Já é tarde. Estou no quarto, com a caneta na mão. Não me apetece escrever mais nada, mas escrevo porque é o que faço. Estou em baixo, e não é uma coisa que se explique. É uma coisa que se sente.

Amo-a. Sempre a amei. Não sei se hei-de deixar de a amar.


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