Fui à Lua

Sábado, 1 de Abril de 1978

Hoje fui à Lua.

Foi assim, de repente. Tal como o meu último rato tinha feito, enchi-me de coragem e, sem pensar demasiado nas consequências, fiz um «upa!» e lancei-me pelo espaço fora.

Pelo caminho parei num satelóide e, como o nome parecia exigir, decidi visitar os satélites dos homens das cavernas. Nunca percebi muito bem por que razão havia de haver homens das cavernas por ali, mas hoje isso pareceu-me uma explicação perfeitamente aceitável.

Acabei por engraçar mais com o seu primeiro grande engenho, o Saturno V. Achei-o extraordinário, embora um pouco estreito para levar animais domésticos, jardim e ainda uma piscina. Há projectos que são magníficos até começarmos a pensar no espaço que ocupam.

Depois, naturalmente, tive de parar no Satelibar para matar a sede.

Quando cheguei ao espaço-porto, instalado na cratera da bomba H, fui muito bem recebido pelos selenitas. Levaram-me a passear pela grandiosa cidade de buracos, perdão, de crateras, e eu fui aceitando tudo aquilo como se fosse a coisa mais natural do mundo.

No fim, acomodaram-me na cratera mais recente.

E foi assim que passei o dia. Na Lua, entre selenitas, crateras, Saturnos e outras coisas que só podem existir quando a imaginação se esquece de perguntar se são possíveis.

Talvez seja por isso que gosto tanto de inventar estas viagens. 

Enquanto escrevo, não há grande diferença entre aquilo que existe e aquilo que consigo imaginar. E hoje, pelo menos por algum tempo, a Lua ficou muito mais perto do que costuma estar.



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