Maior do que eu

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Sábado, 15 de Outubro de 1977

Quando pela primeira vez entrei na Academia, senti-me pequenino e assustado. Para mim, aquilo era algo muito grande, uma pretensão demasiado alta para quem ainda não sabia bem até onde podia chegar. Cheguei a pensar que seria quase impossível, que seria difícil entrar naquele mundo e encontrar nele o meu lugar.

Hoje penso na Lina e dou por mim a fazer a mesma comparação.

Também a vi, no princípio, como algo grande demais para mim. Havia nela qualquer coisa que me fazia sentir pequeno, como se estivesse perante uma pessoa que eu não conseguiria alcançar verdadeiramente. Mas agora já não penso assim. Continuo a ver nela algo grande, sem dúvida, mas não demasiado grande. Sinto que a mereço.

E aquilo que sinto por ela é intenso.

Já lho disse, não é um sentimento que ainda precise de ficar escondido nas palavras que escrevo só para mim. Gosto dela e, apesar de todas as minhas dúvidas e daquela desconfiança que teima em aparecer sem eu saber exactamente de onde vem, continuo a acredito que ela também gosta de mim.

Talvez seja isso que me prende mais, dela obtenho o silêncio e a devolução dos sentimentos. Há coisas que não precisam de ser explicadas quando duas pessoas se entendem dessa maneira.

E ainda assim, há momentos em que me espanta tudo isto.


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