Um dia novo
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Domingo, 16 de Outubro de 1977
Este foi um dia novo.
Eu e a Lina acompanhámos a irmã e o namorado. Foi uma situação diferente, talvez por isso tenha ficado com a sensação de que alguma coisa tinha mudado, embora eu próprio ainda não saiba explicar bem o quê.
O mais interessante foi ter estado em casa dela grande parte do tempo, a sós. E estivemos bem. Divertimo-nos constantemente um com o outro, com aquela facilidade que às vezes aparece quando já não é preciso procurar assunto nem inventar maneira de estar. Bastava estarmos juntos.
Os beijos faziam parte desta proximidade. Já não eram apenas um acontecimento raro ou inesperado, faziam parte daqueles momentos que íamos vivendo juntos, naturalmente, como se ambos soubéssemos que era ali que queríamos estar.
Saí de casa dela com uma sensação diferente. Não era apenas a alegria de ter passado algum tempo a seu lado. Havia qualquer coisa mais funda, uma espécie de certeza que começava a formar-se dentro de mim, embora as minhas dúvidas ainda não tivessem desaparecido.
Continuo a surpreender-me com tudo isto.
“Espanta-me como uma rapariga pode desejar tanto um rapaz”
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