Nada de derrotas
Domingo, 12 de Fevereiro de 1978
A minha irmã Fernanda quis levar-me a algum lado e eu deixei-me levar. Fomos ao Porto ter com um colega dela, o Armando, que nos levou à Estalagem da Pateira, em Fermentelos. É um sítio de quatro estrelas, à beira da lagoa, longe de tudo. Nunca tinha estado num sítio assim.Foi-me apresentada uma colega da minha irmã. A Milita. Fomos para a "boite" da estalagem e ficámos lá perto de uma hora. Depois estive no restaurante a falar com o Armando. Às sete viemos embora, com a Milita, e chegámos a casa às nove.
Foi um dia diferente. Não posso dizer que não foi. Vi coisas que não costumo ver, estive num lugar que não é o meu, e durante algumas horas não pensei no que ando a pensar.
Mas não me livrei dela.
Não podia deixar de pensar na Lina. Naqueles momentos que só nós dois sabíamos viver, e que agora não sei se voltam. A vontade de a amar, o sorriso, a presença, a fala. Nós. Ela e eu. As ilusões. Tudo, mesmo tudo.
E, apesar disso, não me dou por derrotado. Não é agora que me vou dar. Viva o vencedor que há em cada um de nós.
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