Nem todos os planos correm bem
Segunda-feira, 19 de Dezembro de 1977
Começaram as férias e, com elas, comecei também a não ter nada que fazer.
Hoje tentei logo encontrar alguma coisa que me ocupasse. Não gosto de ficar sem nada para fazer e acabei por encontrar uma ocupação que, de certa maneira, já me vinha despertando a curiosidade. Decidi dedicar-me ao estudo dos fenómenos parapsicológicos.
O problema é que estudar implica ler, e não é pouco.
Já tinha seleccionado várias revistas e livros e, quando penso naquilo que tenho para ler, percebo que o entusiasmo inicial começa a esbarrar com a quantidade de páginas que me esperam. A ideia interessa-me, mas a leitura de matéria que soa a escola aborrece-me.
Acabei por desistir por algum tempo.
Fiquei na cama a ouvir música.
Às cinco horas levantei-me e fui esperar a Lina ao seu trabalho. Queria vê-la, estar perto dela, aproveitar mais uma oportunidade para a encontrar. Mas, quando ela saiu, já o pai a esperava.
E tudo ficou por ali.
O pior foi que começou a chover e acabei por me molhar.
Talvez as férias tenham começado de uma maneira diferente daquela que eu imaginava. Tinha encontrado uma coisa para fazer, mas a leitura aborreceu-me. Tinha ido esperar a Lina, mas ela já era esperada pelo pai.
Nem todos os planos correm bem.
E hoje percebo que, por muito que tente organizar os meus dias, há coisas que não dependem de mim.
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