O desterrado

Quarta-feira, 31 de Maio de 1978

Hoje escrevi sobre alguém que foi afastado por não aceitar o mundo tal como ele é. Um homem a quem chamaram louco por pensar de maneira diferente e por acreditar que a natureza acabaria por se impor ao homem.

Talvez tenha escrito este poema porque, por vezes, também me sinto afastado de um mundo que não compreendo.

O desterrado

O louco, desterrado vê o seu mundo
O mundo que não compreende
Nem quer compreender
Está só, mas não o sente
Um dia chamaram-lhe louco
Por querer viver a sua vida
E porque não concordava com o mundo
Era olhado como a imagem de uma outra dimensão
Chamaram-no de louco por acreditar
Que tudo era regido pelo poder da natureza
O homem, ser superior do reino animal
Desafiou a lei que rege as sociedades
Pelo que só terá de esperar pela sua extinção
E disso a natureza se encarregará – disse ele
Logo, foi tomado por louco e perseguido
Agora, é o louco desterrado
No topo da montanha
Esperando pacificamente
A chegada do momento final

Há qualquer coisa de solitário nesta figura, mas também de escolha. Foi afastado, mas parece ter encontrado no afastamento uma forma de permanecer fiel àquilo em que acredita.



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