O futuro em suspenso
← Página Anterior | Índice | Página Seguinte →
Quinta-feira, 3 de Novembro de 1977
Não deixo de pensar numa vida futura, pois está prestes a tomar um novo caminho ou a perpetuar-se no mesmo de sempre.
A minha família encontra-se na eminência da partida para Moçambique e isso deixa-me pensativo. Esta história já se repetiu no passado e parece que vou continuar enredado nela. É impossível pensar nessa partida sem pensar também naquilo que poderá acontecer comigo e com a Lina. Até agora, ela faz parte dos meus dias, mas o futuro poderá obrigar-nos a enfrentar uma distância que não sei se conseguirei suportar.
Gosto da Lina a tal ponto que não sei se aguentaria deixá-la para sempre ou vir buscá-la depois para ser minha mulher um dia. Mas quanto tempo aguentaria ela? E quanto seria necessário? São perguntas que me faço sem conseguir encontrar uma resposta.
Talvez me esteja a precipitar. Talvez esteja a pensar demasiado numa coisa que ainda não aconteceu. Mas quando se começa a imaginar o futuro, é difícil não levar connosco aquilo que mais queremos conservar.
E eu não sei como seria a minha vida se ela deixasse de estar nela.
Bem, talvez me esteja a precipitar, mas não consigo deixar de pensar nela…
Comentários
Enviar um comentário