O medo da perda

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Terça-feira, 18 de Outubro de 1977

O pequeno planeta “eu”, dentro da minha mente, foi arrancado do seu eixo para partir à procura do satélite que o acompanhará eternamente até à sua morte.

Viaja agora, rodopiando num universo desconhecido. A luta pela sobrevivência será necessária até que o objectivo seja alcançado. Já várias luas tentaram ficar, umas por mais tempo, outras por menos, mas a atracção nunca foi suficiente.

Agora, a próxima atracção pertence ao planeta que, com todas as forças, tenta manter junto de si esse precioso elemento.

Já estava seguro, mas não completamente.

É estranho pensar assim em tudo o que me está a acontecer. Há em mim uma vontade enorme de acreditar que encontrei finalmente alguém que possa ficar. E, ao mesmo tempo, existe aquele receio que não me larga, o de que tudo aquilo que agora parece tão próximo possa escapar-me.

Talvez seja por isso que desconfio tanto. Talvez este sentimento, quando começa a ser importante, traga consigo este medo absurdo de o perder.

Avizinham-se novos dias que, cedo ou tarde, trarão a resposta.

Já se “beijaram”, arrependidos da refrega, mas a ocasião ainda é instável.


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