O Sol nascente da nossa vida
Domingo, 21 de Maio de 1978
Hoje fiquei a pensar naquilo que escrevi ontem. A palavra «libertação» continuou comigo e acabou por me levar a imaginar que talvez exista, na vida, um momento em que conseguimos finalmente abrir uma passagem para tudo aquilo que trazemos cá dentro.
Há um momento em que o ressentimento cede.
Só há um momento de libertação na vida. É um momento inesperado em que na maior parte das vezes, não se aproveita.
Essa abertura do nosso "Eu" é uma espécie de canal, ou então um abismo profundo em que se escoa todo o nosso ressentimento, ódio e tristeza.
É um caminho de longos percursos e com duros obstáculos, porém é um momento que não se menospreza e cada obstáculo será areia numa duna.
Com a meta próxima, as forças e a coragem redobram e quando chegados ao topo, assistimos deslumbrados ao Sol nascente da nossa vida, quente, acolhedor e familiar, só então se poderá dizer, a vida começa aqui.
Há um momento em que o ressentimento cede.
Não porque o mundo mude, mas porque chego ao cimo e vejo.
O ódio e a tristeza escoam-se por essa abertura que eu nem sabia que tinha. E quando a luz aparece, não é resposta: é começo.
A vida começa aqui. E é verdade.
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