Sou livre
Segunda-feira, 22 de Maio de 1978
Hoje senti necessidade de continuar aquilo que tinha começado ontem. Se ontem escrevi sobre a possibilidade de chegar ao alto e ver nascer o Sol, hoje quis escrever sobre o que aconteceria depois de lá chegar.
Por fim consegui
Que a minha voz fosse ouvida,
Após longos anos de espera em silêncio.
A razão voltou para dar lugar á esperança
Que tanto me sufocava.
Agora não há grilhetas nem cadeias
Que me impeçam de gritar sou livre!
Já era tempo de pôr cobro ao obscurantismo
Que me envolvia e cegava.
Já não sou o animal que vegetava uma vida miserável
Sem se preocupar com a chuva ou com o vento
Já não sou escravo do meu corpo,
E do meu ser.
Sou livre, livre como o vento
Direi bom dia ao Sol e boa noite á Lua,
Beijarei a terra que me criou
Falarei com as minhas árvores amigas
Serei o sussurrar das suas folhas
Não serei mais escravo!
Sou livre!
Anos a falar baixo e agora a voz sai. Não sei se o mundo mudou ou se fui eu que deixei de esperar por uma autorização divina.
O corpo já não manda em mim.
O obscurantismo que me cegava ficou para trás.
Digo bom dia ao Sol como quem cumprimenta um igual. E isto, isto de não ser escravo, é a coisa mais parecida com começar que já senti.
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