Por fim…

Segunda-feira, 29 de Maio de 1978

Hoje escrevi de uma forma mais íntima. Depois de tantos dias a falar da sociedade, da liberdade, da revolta e da felicidade, voltei a concentrar-me numa pessoa.

Há qualquer coisa que ainda desejo, embora já pareça difícil de alcançar. Talvez por isso fale numa última vez, numa última dança, como se precisasse desse encontro para fechar alguma coisa dentro de mim.

 Por fim…

Por fim, ó dama,
Deste-me o prazer por que tanto ansiava
Julgava já ter perdido
Este momento que tanto desejava
Esse teu sorriso triste
Essa tua voz de queixume
Essas tuas palavras sinceras
Por que tanto ansiava,
Não se desvaneceram.
Ó dama que partilhas comigo o teu mundo
Junta a tua preciosa liberdade
E levanta-te bem alto
Para que a teus pés
Tenhas o mundo merecido e prometido
Não deixes no pó quem te quis e ajudou
Ó dama, que meus sonhos invades
Concede-me o desejo de te ver uma última vez
Ignoro a profundeza do teu amor
Que procuro alcançar com a magia de Cupido
Concede-me a última dança no reino dos vivos



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