Quando os encontros diminuem

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Sexta-feira, 28 de Outubro de 1977

Mais um dia chato. Começam finalmente a aparecer os professores e a haver aulas com alguma regularidade, e isso significa que passo a ver menos vezes a Lina. É uma coisa simples, quase inevitável, mas não deixa de me custar. Depois de tantos dias em que os encontros foram ocupando uma parte tão grande do meu tempo e dos meus pensamentos, começo agora a perceber que as aulas vão voltar a impor os seus horários e que já não poderei estar com ela tantas vezes como até aqui.

Penso que os nossos encontros não vão prejudicar os meus estudos. Pelo menos quero acreditar nisso. Talvez seja apenas uma questão de nos habituarmos a esta nova maneira de estar, com menos tempo disponível e com os encontros a terem de caber entre as aulas, a Academia e tudo o resto. Vão diminuir, é verdade, mas isso não significa que tenham de perder aquilo que têm para mim.

Pelo contrário, talvez cada encontro passe a valer mais. Se nos vemos menos vezes, então cada vez que estivermos juntos poderá ser mais desejada, mais vivida, mais demorada. É assim que procuro convencer-me. A amizade não se mede pelo número de horas que duas pessoas passam juntas, embora eu saiba que, quando gosto de alguém, todas as horas me parecem poucas.

Hoje, por sorte, quando vinha da Academia, estive com a Lina. Foi um encontro breve, mas bastou para que o dia deixasse de parecer tão vazio. Levei-a a casa e, à despedida, demos um beijo. Depois vim embora, levando comigo aquele pouco que, naquele momento, já me parecia bastante.

Talvez seja isto que começa agora, menos encontros, mas uma vontade maior de aproveitar cada um deles. As aulas regressam, os dias mudam e o tempo começa outra vez a repartir-se. Eu, por mim, continuo preso à mesma pessoa.

No entanto, não posso deixar de pensar numa coisa:

Faltei às aulas para nada.


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