Signo Peixes

Sexta-feira, 17 de Março de 1978

Hoje foi o meu dia natalício.

Pelas nove e meia da manhã, há dezoito anos, nasci. Vim ao mundo para sustentar a vida, como o Atlas sustenta o mundo. É uma frase que me saiu assim, e não sei se é verdade ou se é vaidade. Sei que fez dezoito anos que vim ao mundo, e que, como eu, nasciam milhares por todo o mundo naquele mesmo instante. Não sou especial. Ninguém é. Mas é o meu dia, e por hoje posso pensar que sou.

Sou nativo do signo Peixes. Falta-me o outro peixe, o companheiro do Zodíaco. Sempre me faltou. É uma coisa que se diz por brincadeira, mas eu ouço-a a sério. Há uma parte de mim que anda à deriva, à espera de encontrar a outra.

O Manel deu-me os parabéns e um lenço. Foi o único que se lembrou, além da família. Mais do que um lenço, recebi amizade, de um amigo e companheiro dos bons e maus momentos. Agrada-me saber que posso contar com ele para qualquer inesperado, assim como ele pode contar comigo. É pouco, e é tudo.

Adoraria ter visto e falado com a Lina. Seria uma prenda maravilhosa, a única que eu queria. Não aconteceu. Vi a irmã Paula, de longe. Vi-a e não falei com ela. A Paula não é a Lina, e por isso não me serviu de nada, embora me tenha lembrado do que me faltava.

Fiz dezoito anos hoje. Não me sinto mais velho, nem mais novo. Sinto-me igual, com uma coisa a menos. O outro peixe continua a faltar.


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