Um dia sem novidades

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Sábado, 22 de Outubro de 1977

Mais outro dia sem grandes novidades, monótono como sempre.

Os dias começam a parecer-se uns com os outros. Há qualquer coisa de repetido neste tempo, como se as horas passassem sem trazerem nada de verdadeiramente novo e, no entanto, eu continue à espera de alguma coisa. Talvez seja por causa da Lina. Quando estou com ela, mesmo que nada de especial aconteça, o dia ganha outro sentido, quando me afasto, volto a sentir aquela espécie de vazio que tenho trazido comigo nos últimos tempos.

Estive com a Lina, conversámos. Foram palavras e mais palavras, algumas certamente importantes, outras talvez apenas para preencher o tempo, mas continuo com a sensação de que há coisas que ficam sempre por dizer. É estranho estar junto de alguém de quem se gosta tanto e, mesmo assim, sentir que aquilo que realmente queremos dizer não encontra facilmente caminho.

Antes de vir embora houve ainda eleições para a biblioteca. Não assisti porque estava com pressa e… cheio.

Não sei se foi apenas pressa ou se simplesmente não tinha cabeça para ficar. Havia outras coisas a ocuparem-me o pensamento e, naquela altura, estar ali a assistir às eleições pouco me dizia. O que me interessava estava noutro lugar, ou melhor, estava numa pessoa.

À noite fui ao cinema.

E assim passou mais um dia. Sem grandes acontecimentos, sem nenhuma resposta para as perguntas que continuo a fazer a mim próprio. Apenas mais algumas horas junto da Lina e a mesma inquietação de sempre, aquela que não me larga mesmo quando estou contente.


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