Um novo campo de visão

Segunda-feira, 20 de Fevereiro de 1978

Hoje estive prestes a encontrar-me com a Lina. Quando cheguei, já tinha partido.

Fiquei por ali um bocado, sem saber o que fazer, e depois vim embora. Não vale a pena esperar por quem já não está.

Ultimamente tenho sentido gosto pela matemática e pela química, coisa que nunca me tinha acontecido. Antes eram disciplinas como as outras. Agora pego nos livros e fico. E creio saber porquê.

A professora de química tem uma maneira de ensinar que me prende. Explica as coisas de forma que se percebem, e não se limita a despejar a matéria. Há professores que falam para a parede. Ela não. Sinto que fala para nós, e talvez para mim em particular. Não sei se isto é imaginação minha. Provavelmente é.

O certo é que me interessei de tal maneira que comecei a fazer um novo tipo de sistemas para as equações. São tabelas e teorias lógicas que simplificam tudo. Apliquei-as às equações químicas e funcionam. Alguns colegas já me pediram. Não sei se é um método que já existe, se é coisa minha. Sei que resulta.

Se continuar por este caminho, vou ter um campo de visão que até agora não tinha. Talvez seja isso que ando à procura sem saber. Uma coisa que me ocupe a cabeça e que não seja ela.

Amanhã tenho aulas. Vou levar os apontamentos que fiz. Não sei se mostro à professora. Talvez mostre. Talvez fique quieto e guarde isto para mim, como guardo o resto.


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