Uma fotografia

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Quinta-feira, 13 de Outubro de 1977

Hoje, quando estive com a Lina, ela deu-me uma fotografia. É bonita, e nessa fotografia bem o mostra. Fiquei a olhar para ela com aquela satisfação que sentimos quando alguém de quem gostamos nos oferece qualquer coisa que passa a ter um significado diferente de todas as outras coisas.

Sinto-me feliz por ter encontrado assim uma amiga. Há qualquer coisa de bom em sentir que alguém ocupa um lugar especial na nossa vida e que esse lugar começa a parecer natural, como se tivesse estado à nossa espera.

Mas continuo pouco seguro.

Posso parecer pessimista, talvez até injusto, porque tenho razões para acreditar no que sinto e no que ela me transmite. Ainda assim, a desconfiança permanece. Não sei explicar de onde vem, nem encontro uma razão concreta para ela. É apenas uma inquietação que aparece quando tudo parece correr bem.

Talvez seja o ciúme, quem sabe?

Olhei para a fotografia e senti-me feliz. Depois, quase ao mesmo tempo, voltou aquela dúvida que não consigo afastar.

É estranho conseguir acreditar e desconfiar ao mesmo tempo.


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