A consciência voltou
Quarta-feira, 14 de Junho de 1978
Dou-me por vencido e entrego-me às garras da sociedade.
Este dia não foi além do que os outros foram, talvez um pouco mais tenso por se aproximarem os exames. Ainda há pouco julgava dispensar, mas julgava mal. Afinal, não estava tão livre deles como pensava.
Quanto à minha mente, ao meu estado de espírito, nem sei bem se o devo dizer. O meu orgulho diz-me uma coisa, mas não é só um pensamento. Para além dele, há um desejo.
Já não a vejo há muito tempo. Sei que namora, mas não vejo que seja esse o impedimento. Talvez seja eu próprio que encontro impedimentos onde eles não existem. Ou talvez tenha medo de voltar a aproximar-me.
Ninguém nasce ensinado e é da experiência que provém a razão de julgar. Mas há experiências que custam demasiado e que não desaparecem só porque o tempo passa.
A Odília já não a vejo e, quando a via, envergonhava-me. Ainda hoje me custa pensar nisso. Não me perdoo. Fi-la chorar e sofrer pelo nosso amor.
É estranho como uma pessoa pode afastar-se de outra e, mesmo assim, continuar a trazê-la consigo. Talvez seja isso que me está a acontecer. Posso dizer que passou, posso tentar convencer-me de que já não importa, mas basta pensar nela para voltar tudo outra vez.
Não sei sequer o que faria se a encontrasse. Talvez não tivesse coragem de lhe falar. Talvez baixasse os olhos como antes.
Mas hoje percebi uma coisa: por mais que tente fugir ao que fiz, a minha consciência não me deixa esquecer.
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