O grito do silêncio

 

Terça-feira, 13 de Junho de 1978

Estou farto, ninguém me compreende
Para os outros, o que digo não passa de disparates
Bem tento fazer-me compreender
Mas ninguém me escuta, estou farto!
Decidi testar-me ao máximo
O que consegui foi humilhar-me como nunca
Nem uma palavra de crítica
Nada!
Para quê falar, se ninguém me entende,
Sinto-me doente.
Se elogio a loucura, riem na minha cara
E fazem caretas de escárnio
Se falo da sociedade, viram-me as costas.
Mas que será que está errado?
Serei eu ou eles?
Tudo está trocado
Ninguém está preocupado com o que o rodeia
Com o que vive, separados da realidade
Que não devia passar despercebida
Estou doente.

Talvez o problema seja mesmo meu. Às vezes penso que vejo coisas que os outros não vêem, mas também posso estar simplesmente a complicar tudo.

O que me irrita é tentar falar e sentir que ninguém quer ouvir. Depois começo a pensar se valerá a pena continuar a dizer o que penso.

Talvez amanhã veja isto de outra maneira. Hoje estou farto. E, sinceramente, já nem sei se sou eu que estou errado ou se são os outros.



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