A passagem do tempo

 

Quarta-feira, 21 de Junho de 1978

Como é veloz o tempo, como é veloz
Como é lento o deslizar do mar
Sento-me na areia, descanso os pés
Onde as ondas vêm desmaiar
Já não tem estrelas o céu
Já a noite não mete medo
 
Calou-se a maresia
Com as estrelas foi-se a noite
Com o Sol surgiu o dia
Nasce o dia envolto num véu
E na praia um rochedo
Calou-se o silêncio da noite
 
Vêem as gentes, ruidosas
O Sol nas suas faces queimando
Qual criança levando um açoite
Vai-se o dia deitando
E com as estrelas vem a noite

Gosto deste poema. Talvez porque fala de uma coisa que vejo todos os dias e que, mesmo assim, nunca consigo perceber bem: o tempo.

Escrevi que ele é veloz e depois que o mar é lento. É estranho, mas é mesmo assim que o sinto. Há momentos que passam num instante e outros que parecem nunca mais acabar.

Também gosto da maneira como a noite desaparece e volta outra vez. As estrelas vão-se embora, aparece o Sol, as pessoas começam a andar e, quando damos por isso, já está outra vez a noite.

Talvez o que eu queira dizer é que tudo passa. Até aquilo que agora parece importante ou difícil. Amanhã já será outra coisa.

Mas também sei que há coisas que passam e ficam. Não sei como explicar isso. Talvez o tempo leve os dias, mas não leve tudo o que acontece dentro de nós.

E talvez seja por isso que escrevi este poema.



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