Amor — Uma causa perdida?

 

Terça-feira, 27 de Junho de 1978

Quando o amor
Nos domina verdadeiramente
Ele é mais forte que o querer
Por isso se diz
Que é forte como a morte
Sentimentos fortes
Não se podem dissimular
Tal como não se controla
A batida do coração
O que acontece de verdade
É que o amor, como sentimento
É jamais uma causa perdida
Lutar para se obter
O que não se conseguiu a bem
É já uma causa perdida
Quem fala muito e diz pouco
Ignora que o mundo é redondo
E que à noite sucede o dia
O homem é um animal
Que não se comporta como tal

Fiquei a pensar neste poema depois de o escrever. Talvez porque estou a tentar perceber até onde pode ir aquilo que sentimos.

Há coisas que não conseguimos esconder. Podemos querer parecer indiferentes, podemos dizer que não nos importa, mas depois há sempre qualquer coisa que nos denuncia. Até o coração parece ter vontade própria.

Mas também escrevi que lutar por aquilo que não se conseguiu é uma causa perdida. Então em que ficamos? Se um sentimento é forte, devemos lutar por ele ou devemos desistir quando percebemos que não há maneira?

Não sei responder.

Talvez dependa daquilo que está do outro lado. Não adianta querer sozinho. Uma pessoa pode querer muito uma coisa e, mesmo assim, não conseguir mudá-la.

O que mais me ficou foi aquela ideia de que a noite sucede ao dia. Talvez seja uma coisa simples, mas às vezes gosto de pensar que aquilo que parece não ter saída acaba por mudar.

Mesmo quando não sabemos como.



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