Encerramento de mais um (caderno) diário
Quarta-feira, 28 de Junho de 1978
Mais uma vez termino um novo (caderno) diário, não sem deixar algumas considerações sobre o trabalho feito ao longo destes cinco meses.
É uma experiência que considero difícil. Ter uma continuidade de pensamentos e ideias e, momentaneamente, transcrevê-los para o papel não tem sido uma tarefa fácil.
A experiência a que me refiro é precisamente ter essas ideias ou então criar um módulo em que, tudo depois, girará em seu torno. Às vezes tenho uma ideia e começo a desenvolvê-la. Outras vezes acontece o contrário. Começo a escrever sem saber muito bem onde quero chegar e depois tenho de tentar dar um sentido àquilo que ficou no papel.
O facto desta experiência ser difícil é que nem sempre consegui encontrar inspiração para que satisfizesse uma linha determinada de pensamento. Ou me ficava pelo erro, ou então, pior, acabava por me contradizer. Nesses momentos, o silêncio seria mais significativo.
Talvez seja essa uma das coisas que mais tenho aprendido com estes meses. Nem sempre foi possível dizer aquilo que pensava da maneira que gostaria. Há pensamentos que se perdiam quando tentava pô-los no papel e outros que, quando finalmente ficavam escritos, já não pareciam exactamente aquilo que tinha pensado.
Mesmo assim, continuo a escrever.
E talvez seja essa a parte mais importante desta experiência. Não conseguir sempre dizer tudo, não conseguir sempre encontrar as palavras certas, mas continuar a tentar.
Este caderno chega agora ao fim. Os pensamentos, esses, não.
Comentários
Enviar um comentário