Dia de S. João
Sábado, 24 de Junho de 1978
Dia de S. João.
De ontem para hoje houve a grande farra. O Porto esteve em grande festa e eu, com razões duplas, festejei e diverti-me como nunca.
Foi uma noite em que não existiram preocupações, nem as pessoas se sentiram mais oprimidas. Durante algumas horas, pareceu que tudo aquilo que normalmente pesa sobre nós tinha ficado para trás. As pessoas puseram de parte a máscara do dia-a-dia e enfrentaram a noite a sorrir. Um sorriso que se transmitia de uns para os outros e que acabou por encher a cidade de alegria.
Foi também uma noite em que todas as barreiras, humanas e sociais, pareceram cair. Havia uma enorme vontade de conviver, de estar com os outros, de aproveitar aquela noite sem pensar demasiado no que viria depois.
Talvez seja isso que torna o S. João diferente. Por uma noite, ninguém parece querer saber muito das diferenças que durante o resto do ano nos separam. Toda a gente sai para a rua e acaba por fazer parte da mesma festa.
Ainda houve, porém, quem não percebesse o significado daquela noite. E a data e o nome da festa acabaram também por ser sujos com actos de violência que não consigo compreender.
Mesmo assim, prefiro guardar desta noite a outra imagem. A das pessoas na rua, a rir, a conviver e a esquecer por algumas horas as preocupações de todos os dias.
Foi uma noite diferente. E eu também precisava dela.
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