O rio da vida

Sábado, 15 de Julho de 1978

Penso no sofrimento e na forma como ele vai marcando o corpo e a vida. O sangue que se perde transforma-se na imagem de um rio que nasce, cresce e se espalha até chegar ao mar. E é nesse movimento que encontro também a ideia da própria vida, desde a nascente até ao lugar onde tudo começou.

O rio da vida

Perdoe-se o meu orgulho
Que é parasita do meu ser
Também de todo o ser humano
Há uma razão triste de viver
Que é vegetar num corpo inerte
Sem contemplações no castigo
Tantas vezes o chicote desce
Que o seu corte é insignificante
Para esse corpo mil vezes retalhado
Por onde o sangue, líquido da vida
Se esvai derramando gota a gota
Que esburaca a rocha,
Origem da nascente e do ribeiro
Que se vai engrossando
Cavando profundos vales
Dando origem a rios tumultuosos
Que numa euforia louca
Se vão estendendo e alargando
Originando lagos
Alimentando oceanos
Onde a vida começou e não acaba.

Danton Von Iasa

Depois de dois dias fantásticos por que passei, voltou o sonambulismo mental que me tem assombrado desde  longa data. Esta insónia emocional um dia tem de acabar.



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